Acabo de voltar do Campo Grande
– MS, depois de participar da itinerância do 19o MIX Brasil. Uma
experiência única que certamente ficará na memória, pois a primeira vez a gente
nunca esquece. Momento para reencontrar os amigos Leandro Marques (Produtor Executivo
do evento em Campo Grande), João Federici (Diretor do Mix Brasil) e Dannon
Lacerda (Diretor do curta Diálogo) e lógico, de fazer novos amigos.
O evento aconteceu de 05 a 08 de
julho, no MIS – Museu de Imagem e Som e estava muito bem organizado, ornamentado
com filmes que fizeram parte do evento principal que acontece em São Paulo e no
Rio de Janeiro todo mês de novembro.
Fiz um workshop com o público
intitulado Cinema: faça você mesmo, no qual falei bastante da experiência da
Bahia no campo da cultura, sobretudo no cinema. Não pude deixar de vomitar a
insatisfação na Ministra da Cultura e na Secretária de Audiovisual, por
conta do assassinato que fizeram nos últimos editais de audiovisual. Pensaram que o Brasil se resume ao sudeste e concentraram toda a verba na região.
Apesar do frio que chegou a 9
graus, fiquei muito feliz com o público, que participou bastante do bate-papo e
lotou as salas do MIS, todos os dias do evento. Um público carente em eventos
culturais edificantes como este e por isso, que aproveitaram a oportunidade para
ocupar as salas num momento único para o Campo Grande.
Cidade muito bonita, bem
planejada, com uma história rica, culinária única e artesanato sem igual. Chega
dá ciúmes, inveja mesmo, por ver uma Bahia tão esculhambada, mal tratada, sem
planejamento e tão feia, até nos centros históricos. Inclusive, numa das entrevistas,
antes de gravar, o repórter me perguntou: - porque a Bahia, um estado tão
múltiplo e diverso, é tão homofóbico? Sim, fiquei com vergonha também, pelo
fato da Bahia ser o estado campeão em assassinatos de homossexuais do Brasil.
É isso... nem tudo são flores e
não poderia deixar de citar aqui, o lado ruim da moeda, e nesse caso, o mérito
é todo nosso.
Mas como vergonha, ciúmes e
inveja não são coisas edificantes para um ser humano, arrumei minha mala, ainda
meio confuso sobre isso tudo, peguei meu exemplar de Inúmera, de Daniela Galdino
e li tudo durante o voo Campo Grande – Campinas, me deixando num estado de
êxtase e de ainda mais provocação.
Concluí: ainda há solução.
“Na retomada do tempo
deram-me um corpo
feito mote
e eu glosei.”
Daniela Galdino

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