segunda-feira, 9 de julho de 2012

Sobre ciúmes, territórios e assassinatos


Acabo de voltar do Campo Grande – MS, depois de participar da itinerância do 19o MIX Brasil. Uma experiência única que certamente ficará na memória, pois a primeira vez a gente nunca esquece. Momento para reencontrar os amigos Leandro Marques (Produtor Executivo do evento em Campo Grande), João Federici (Diretor do Mix Brasil) e Dannon Lacerda (Diretor do curta Diálogo) e lógico, de fazer novos amigos.

O evento aconteceu de 05 a 08 de julho, no MIS – Museu de Imagem e Som e estava muito bem organizado, ornamentado com filmes que fizeram parte do evento principal que acontece em São Paulo e no Rio de Janeiro todo mês de novembro.

Fiz um workshop com o público intitulado Cinema: faça você mesmo, no qual falei bastante da experiência da Bahia no campo da cultura, sobretudo no cinema. Não pude deixar de vomitar a insatisfação na Ministra da Cultura e na Secretária de Audiovisual, por conta do assassinato que fizeram  nos últimos editais de audiovisual. Pensaram que o Brasil se resume ao sudeste e concentraram toda a verba na região.

Apesar do frio que chegou a 9 graus, fiquei muito feliz com o público, que participou bastante do bate-papo e lotou as salas do MIS, todos os dias do evento. Um público carente em eventos culturais edificantes como este e por isso, que aproveitaram a oportunidade para ocupar as salas num momento único para o Campo Grande.

Cidade muito bonita, bem planejada, com uma história rica, culinária única e artesanato sem igual. Chega dá ciúmes, inveja mesmo, por ver uma Bahia tão esculhambada, mal tratada, sem planejamento e tão feia, até nos centros históricos. Inclusive, numa das entrevistas, antes de gravar, o repórter me perguntou: - porque a Bahia, um estado tão múltiplo e diverso, é tão homofóbico? Sim, fiquei com vergonha também, pelo fato da Bahia ser o estado campeão em assassinatos de homossexuais do Brasil.

É isso... nem tudo são flores e não poderia deixar de citar aqui, o lado ruim da moeda, e nesse caso, o mérito é todo nosso.

Mas como vergonha, ciúmes e inveja não são coisas edificantes para um ser humano, arrumei minha mala, ainda meio confuso sobre isso tudo, peguei meu exemplar de Inúmera, de Daniela Galdino e li tudo durante o voo Campo Grande – Campinas, me deixando num estado de êxtase e de ainda mais provocação. 

Concluí: ainda há solução.

“Na retomada do tempo
deram-me um corpo
feito mote
             e eu glosei.”

Daniela Galdino

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