domingo, 6 de fevereiro de 2011

03 de fevereiro de 1974.

Procuro referências para escrever o texto e não faltam possibilidades, diante de tantas novidades. Roteiro técnico definido; plano de filmagem elaborado; locações fechadas; objetos escondidos no fundo do baú, que são cutucados com a ajuda das novas tecnologias; atores em constante descoberta dos seus personagens e por aí vai...

Porém, cito um fato interessante, que me fez pensar em outros. Durante a semana, reproduzimos um objeto de cena: uma foto de Antônio e Joelma. 

Imediatamente lembrei Rubem Alves, psicanalista e escritor, metaforizando o retrato. Afinal, contra a foto, não há argumentos. Ela é a representação do real e muito mais que isso.

Ele diz: “É mais fácil amar o retrato. Eu já disse que o que se ama é a ‘cena’. ‘Cena’ é um quadro belo e comovente que existe na alma antes de qualquer experiência amorosa. A busca amorosa é a busca da pessoa que, se achada, irá completar a cena. Antes de te conhecer eu já te amava.... E então, inesperadamente, nos encontramos com rosto que já conhecíamos antes de o conhecer. E somos então possuídos pela certeza absoluta de haver encontrado o que procurávamos. A cena está completa. Estamos apaixonados.”

Eis que Joelma e Antônio afirmam sua união. E a foto é a prova disso.

Afinal, em qual contexto ela se tornou real? O que pensavam no momento? Colocaram suas melhores roupas? Planejaram durante semanas? Em qual data foi tirada? Quem tirou? Onde? No momento do clique, em minha frente, Joelma (Fábio Vidal) e Antônio (Rui Manthur) adentravam no universo da fotografia. Ela, ainda nova, encontra o seu parceiro, ex-mendigo e passam a viver juntos. Na foto, alguns anos se passaram.


Pena que, tudo tem um fim, e nessa história, restará apenas a foto para recordação.

Seguimos nessa semi-ótica, encontrando respostas para criarmos imagens ao seu imaginário, caro leitor. 


Até breve!

10 comentários:

  1. Então...
    não restará apenas a foto, ficará o elo que impulsiona os re-pensamentos, ficará a imagem que trará as recordações, quantas vezes visitadas for..como quimera que só é perfeita por ser imaginada, pq 'é mais fácil amar o retrato'.

    Edson, meu querido, adoro estas incursões do Joelma em meio à madrugada minha de trabalho. Respiro, sinto e volto à labuta.

    Bjo e sorte em tudo que fizer. E um abraço que tenha braços para a equipe inteira!

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  2. Oi Júnia,

    Muito obrigado pelo carinho, conselhos, comentários, apoio e por estar sempre aí, do outro lado, bem pertinho, acompanhando o processo fascinante que tem sido realizar Joelma.

    Realmente, a foto é passível de infinitas possibilidades de significações e estímulos à nossa memória. É, pois, a concretização da nossa necessidade de parar o tempo, ao passo que, fluímos ao passado, presente, futuro e o tempo que quisermos inventar.

    Outros abraços para vocês!

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  3. Cara, muito bom são os seus relatos e vistas sobre o desenrolar de todo esse processo.

    Acabo de conhecer o blog e já estou querendo saber mais. O próximo capítulo.

    Sucesso na caminhada!
    Ah, parabéns pelo FECIBA!
    Seguimos acompanhando.
    Abrç.

    Zezo Maltez

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  4. Oi Zezo, Que bom que você curtiu. Tem sido um processo muito intenso. Há mais de 04 anos pesquiso a vida de Joelma para tentar me basear na história dela e construir o curta. Uma tarefa muito difícil e ao mesmo tempo prazerosa. Atualizo constantemente o blog.

    Acompanhe os próximos posts e comente, pois é sempre bom e gratificante esse retorno.

    Obrigado, quando ao FECIBA! Ilhéus precisava de um Festival como ele. Grande abraço!

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  5. Jose Antonio Loyola Fogueira7 de fevereiro de 2011 15:07

    Edson, quando você fala, da pré existência da cena no contruir o querer e o gostar, no encontro das pessoas na formação das parcerias afetivas, ou romanticas, nos disperta para o fato de quanta, vida congelada em uma cena existe em uma fotografia, amarelada em uma parede em uma casa qualquer, quanta emoção existe, no universo presso na cena da fotografia.
    Muito bem lembrado Edson,não são só fotografias, são fragmentos de vida pressas em uma celulose, em papel, ou em digital, são fragmentos de vida.
    Bravo, e vamos ver Joelma. Jose Antonio Loyola Fogueira.

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  6. Olá Loyola, que bom lê-lo por aqui.

    Pois é, aprisionamos a imagem na fotografia e junto com ela liberamos nosso imaginário à procura de imagens mentais.

    Por enquanto, imaginamos Joelma.

    Volte sempre!

    Abraços.

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  7. "em qual contexto ela se tornou real? "
    babe, deixemos a magia no lugar dela.
    Na verdade, vc já está fazendo isso (e muito bem por sinal).

    um beijo enorme

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  8. Valeu Babe!!!

    Obrigado por estar presente e fazer parte dessa equipe.

    Beijos.

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  9. Se por um lado os filmes vivem mais que todos nós, por outro, nesse caso, contribuem para a imortalidade de Antonio e Joelma.

    Vida longa aos dois e sucesso nessa etapa, Edson.

    Abraço!

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  10. Valeu Léo!

    Precisamos nos ver por aqui e bater um papo. Quero ter atualizações extra-blog de "Nunca mais vou filmar."

    Daqui, Joelma deseja toda sorte, sucesso e imortalidade a ele.

    Abraços.

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