domingo, 18 de dezembro de 2011

Making-of


Um pouco sobre o nosso processo de produção do curta Joelma está registrado no making-of dirigido por Henrique Filho. O vídeo dispensa textos, vale a pena conferir e deixar seu comentário!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Na fibra e na coragem do teu povo, reside tua riqueza Ipiaú.


Procuro palavras... não as encontro! Qualquer tentativa de delimitar as sensações que tive nos últimos dias, é pouco para expressar o tamanho da emoção que senti.

Saímos de São Paulo e fomos direto para Salvador fazer o lançamento do filme no Cine Cena Unijorge no dia 28/11. A sala estava lotada. Pessoas muito curiosas querendo conhecer um pouco mais da história de Joelma e prestigiar o nosso trabalho. Momento de reunir novamente a equipe e celebrar por Joelma ter nascido. Momento de rever professores e amigos que há tempos não encontrava.

Em seguida fomos para Ipiaú no dia 02/12 (aniversário da cidade) e fizemos o que considero a melhor sessão do filme até então. Momento único! A Câmara de Vereadores lotou. Quase 100 pessoas curiosas para assistir ao filme e prestigiar a Joelma original, que estava presente, com vestido novo produzido por ela e peruca que acabara de comprar. O vizinho Wally Salomão dizia que a memória é uma ilha de edição. Nunca me esqueci disso, assim com nunca me esquecerei do momento que descreverei em breve.

Abro um adendo para falar que as primeiras exibições de filmes meus, em Ipiaú, tinha o máximo de 20 pessoas na platéia. Todos familiares! E lá sempre estava meu avô, Edward Pereira de Oliveira, presente, a fazer seus belos discursos e dizer que sentia uma alegria e uma tristeza grande ao perceber a dimensão do que estava sendo feito e a proporção da participação e envolvimento da sociedade. Só queria dizer que senti sua falta meu avô. Onde estiver, saiba que continuo no caminho do bem. O Senhor não precisa mais se preocupar: está dando certo!

Durante o filme, eu ali, na frente da tela, assistia a cada cena como se fosse a primeira vez. E me emocionava como qualquer outro espectador. E Joelma também na frente, comentando todo o filme, rindo da bicicleta, falando do seu hombrico (o marido português), dizendo que adorou a cena de sexo, apontando para a boneca Rosemary, cantando toda a trilha sonora da filme, mostrando a igreja das treze almas para os convidados... A Avemaria tocou e as lágrimas desceram sem ninguém perceber. Saí correndo para beber água. O filme terminou, as pessoas levantaram das poltronas e aplaudiram de pé as Joelmas ali presentes.

Ainda emocionado, pego o microfone e dedico todo o reconhecimento do filme à Joelma, hoje musa de Ipiaú, por toda originalidade e inspiração. Ela é única, é vanguardista, é resistência e fragmentação. Se não fosse por ela, nada disso aconteceria. Ao agradecer, um filme passa novamente em minha mente, a garganta trava, viro o rosto e coloco as mãos nos olhos para enxugar as lágrimas que caem em público. Toda a plenária se emociona, lavando nossa alma que tanto clama por renovação!

Até o silêncio ser quebrado por Joelma que começou a expulsar a maldição que havia na câmara de vereadores de Ipiaú, segundo ela. Entrego o microfone, pois é momento dela ter voz, falar o que sente a todos. E foi assim que voltamos aos sorrisos, abraços e à comemoração dos 78 anos de emancipação da nossa queria Ipiaú!

Foto: Marcel Hohlenwerger

sábado, 19 de novembro de 2011

Vox Populi, vox Dei


Diz a máxima que a voz do povo é a voz de Deus. Talvez essa seja a forma mais coerente de praticar o exercício da democracia. Dando voz ao povo. Pelo menos é a maneira que o Festival Mix Brasil tem para mostrar o que o público acredita ser o melhor do Festival.

Foi assim que o público escolheu Joelma como o melhor curta nacional do 19 Festival Mix Brasil da Diversidade Sexual. Isso nos leva a acreditar que nossa proposta foi entendida pelo público e que estamos no caminho certo. Muito obrigado pela confiança e votação de todos que estiveram presentes nas exibições de Joelma e aos que torceram de longe.

Dedico o prêmio a toda equipe que trabalhou duro e deu seu máximo para que nosso filme falasse uma só língua. Melhor filme é quando todos os departamentos interagem para agregar aos demais e nunca sobressair de todos os outros.

São Paulo vai deixar saudades e boas lembranças em minha memória, pois foi nessa cidade dominada por nordestinos que levamos nosso primeiro prêmio de reconhecimento de público.

É Ipiaú dominando o mundo e a Bahia mostrando que continua sendo celeiro de grandes artistas.

Viva o cinema Baiano!


Agradeço muito a todos que compartilharam a notícia e a felicidade juntamente conosco. Mais de 50 pessoas compartilharam a notícia em rede social e deixaram inúmeros comentários. Muito obrigado pelo carinho de todos.

Obs.: 11 filmes selecionados para a Mostra Competitiva de curta-metragem nacional. 05 são de São Paulo, 02 do Rio de janeiro, 01 do Rio Grande do Sul, 01 do Distrito Federal, 01 da Paraíba e 01 da Bahia.


Veja a lista completa de premiados:
JÚRI POPULAR
- Prêmio Ida Feldman
Eliad Cohen (Arisa)
- Melhor Curta Internacional
Amor a 100ºC, de Kim Jho Gwang Soo
- Melhor Curta Nacional
Joelma, de Edson Bastos
- Melhor Documentário
Olhe Pra Mim de Novo, de Kiko Goifman
- Melhor Longa-Metragem
Tomboy de Celine Sciamma Tomboy de Celine Sciamma
- Prêmio Canal Brasil
Jiboia, de Rafael Lessa
JURI TÉCNICO
- Melhor Direção de Arte
Arte de Andar pelas Ruas de Brasília
- Melhor Roteiro
Cris Reque, Três Vezes por Semana
- Melhor Fotografia
Assunto de Família, de Caru Alves
- Melhor Interpretação
Irene Brietzke, por Três Vezes por Semana
- Melhor Direção
Marcelo Caetano, por Na Sua Companhia
- Melhor Curta Metragem Nacional (Coelho de Ouro)
Na sua Companhia, de Marcelo Caetano

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Cópia 0 e primeiras exibições



05 de novembro, dia do cinema nacional, 16:20, casa de Jeronimo Soffer, finalizamos a cópia 0 de Joelma. Assistir o curta totalmente finalizado é como se fosse a primeira vez. A cada nova interferência da trilha sonora pensada por Luciano Simas e Ronei Jorge, da mixagem e do desenho de som por Napoleão Cunha e da finalização de imagem por Jeronimo Soffer, sentia que ela estava realmente pronta pra se exibir pro mundo e em Blu-ray ainda. Mas é ousada viu!!!

Ao longo desses 05 anos de estruturação de Joelma, pude perceber que o tempo foi um grande parceiro, pois trouxe as respostas que precisávamos para o filme e para nossas vidas. Uma sensação de alívio, embolada com a ansiedade dos tempos que virão, pois é agora que tudo começa. Preparem a escova emborcada, o tapete vermelho e anotem as datas abaixo na agenda de vocês:

São Paulo
19 MIX Brasil
dia 13/11 às 21h no MIS (Museu da Imagem e do Som)
dia 15/11 às 19h no Cine Olido
dia 20/11 às 19h na Sala Lima Barreto
Entrada das sessões MIS e Lima Barreto é Grátis, no Cine Olido R$ 1,00, meia R$ 0,50

Joelma foi feito com muito amor e está um trabalho bem interessante. Sei que sou suspeito, mas posso dizer que estou imensamente satisfeito com o resultado final e com o trabalho de todos. Continua sendo um aprendizado constante, pois a cada nova etapa, novas descobertas são feitas.

Agradeço muito a todos que direta e indiretamente contribuíram durante esse processo. Agora nos resta torcer e lotar as salas nas exibições. E para isso eu conto com você.

Sobre Joelma
Joelma é um curta de ficção, baseado na história de vida da primeira transexual da Bahia e uma das primeiras do Brasil. Artista, negra, transexual, nascida na cidade de Ipiaú-Ba, Joelma possui uma vida marcada por diversos conflitos vividos ao longo dos seus 67 anos. O curta é uma fábula contemporânea sobre a relação do indivíduo com a sociedade, tendo como tema o respeito às diferenças.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Joelma no MIX

Dia de muito trabalho e de comemoração. Depois de uma maratona de testes de elenco para o curta Desvelo, dirigido por Clarissa Rebouças, também continuísta de Joelma, recebo uma notícia para nos deixar cheios de expectativas até o próximo mês.

Nossa primeira meta foi alcançada: fomos selecionados para a mostra competitiva do 19o Festival MIX Brasil que acontece de 10 a 20 de novembro no estado de São Paulo e de 24 a 1o de dezembro no Rio de Janeiro.

Já temos uma previsão da data de lançamento de Joelma: inicialmente o dia 13/11. Quero todos lá torcendo e votando, pois além da passagem aérea estar baratinha, precisamos do voto de vocês.

Concorremos a diversas premiações: o troféu Coelho de Ouro para melhor filme, escolhido por um júri especializado e os troféus Coelho de Prata nas categorias: direção, interpretação, fotografia, roteiro e direção de arte. Além disso, o filme concorre ao troféu Coelho de Prata escolhido pelo público na categoria melhor curta-metragem nacional e ao prêmio aquisição Canal Brasil de incentivo ao curta-metragem, no valor de R$ 15.000,00.

Lógico que queremos todos os prêmios, nos esforçamos para isso, mas o que nos deixa mais feliz é saber que o curta está sendo bem recebido pelos curadores e por isso acreditamos que o público também gostará de conhecer um  pouco sobre a história de Joelma, que parece mais uma fábula.

Parabéns a toda a equipe que se esforçou muito e continua se esforçando bastante para que Joelma se torne especial e fique registrada na memória de todos que assistirem.

Parabéns também a Joelma que no dia 10 de outubro realizou mais um ano de vida, com muita luta, esforço, suor, humildade e muita batalha. É assim que a gente te presenteia: fazendo um filme! Você merece.

Está apenas começando, mais uma vez. E agora não tem mais fim!

PS.: Não me perguntem quantos anos ela tem. É indelicado falar sobre a idade de uma mulher.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Quem não arrisca...


Conforme prometido as novidades chegaram.

Sempre precisaremos lidar com a escolha e são elas que nos direcionará ao caminho que vamos seguir. Não podemos fazer tudo o que queremos, já dizia nossa mamãe...

O fato é o seguinte: com muito orgulho comunico que fomos selecionados para o 35o Festival Internacional de Cinema de São Paulo, que segundo o Wikipédia é o Oscar brasileiro e o maior festival de curtas do Brasil. Mediante inscrições, foram selecionadas algumas obras do mundo inteiro para participar da mostra competitiva de curtametragem e lá estávamos nós! Ah e o melhor é que o Festival tem o Prêmio Itamaraty com o valor de 15 mil reais para o melhor curta. O Festival de São Paulo acontece de 20/10 a 03/11 (www.mostra.org.br).

Depois de toda essa preparação, a notícia: Não vamos participar do Festival! Uma pena! Agora digo o porquê:

Um curtametragem, assim como tudo na vida, precisa de planejamento, de metas para atingir seu objetivo. E o nosso, inicialmente, é ser selecionado e ganhar o prêmio de melhor curta no 19o Festival MIX Brasil de Cinema que também acontece em São Paulo de 10 a 17/11 (www.mixbrasil.org.br) e é o maior Festival temático do Brasil. A premiação é equivalente, a quantidade de filmes menor e o Festival é específico para a temática de Joelma, ou seja, matematicamente as chances são maiores.

E porque não nos dois? A escolha é necessária pelo fato de que alguns Festivais pedem o ineditismo da obra no estado ou na cidade de exibição. Ambos pedem o ineditismo e o Festival de São Paulo acontece antes que o MIX. Vamos arriscar pois, como diz o ditado, quem não arrisca...

A outra novidade é o lançamento de Joelma em Ipiaú. No dia 02/12 na Praça da Cultura (antiga praça da feira) exibiremos o curta que no momento passa por uma avaliação da classificação etária dos espectadores. A exibição será gratuita, em local fechado, com minha participação e a presença ilustre da nossa querida Joelma. Confirmo o horário assim que tiver mais informações.

As novidades não se acabam, sempre há espaço para um pouco mais, no próximo post.

E você, o que faria?

Obs.: Nesta noite de premiação do Festival de Brasília, parabenizo aos baianos que levaram vários prêmios. 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ressurreição


Ressuscitamos! Isso mesmo que você leu. Jesus ressuscitou e Joelma também ressuscitou. Todos ressuscitaremos em algum momento de nossas vidas.

Segundo Joelma, ela morreu por 14 dias, ficou presa em um gancho, dentro de um necrotério, assim como um boi em um matadouro e depois disso... ressuscitou. Acredite se quiser! Estamos aqui falando de fé e quem sou eu para menosprezar a fé do outro. Observação: vocês não encontrarão esse trecho no curta, deixamos para abordar essa parte da vida de Joelma em outro momento.

O fato é que vivemos à sombra do passado.  Buscamos no pretérito imperfeito, maneiras de aludir o futuro. Estávamos presos em estruturas que não nos levavam a lugar algum, só nos deixavam presos no tempo. Panóptico! Mas agora... é tempo de ressurreição! E olha que nem é páscoa!

Particularmente, acredito que precisamos ter fé em tudo na vida. E para fazer um filme não é diferente. Muitas vezes é preciso acreditar em milagres. Eles acontecem a todo momento. Agora tenho certeza que eles existem.

No momento, o corte final já foi feito, o curta está em processo de finalização (color, mixagem e trilha sonora) e deve ficar pronto em breve! Breve é tempo suficiente para ser exibido nos festivais que o curta já está inscrito, ou seja, novembro!

Em seguida, faremos uma exibição de lançamento em Ipiaú, onde todos aguardam ansiosos para ver a cidade na tela.

E depois disso, Joelma vai percorrer por diversos lugares por aí. Uma das novidade é que o curta foi selecionado pelo Calendário de Apoio à Projetos Culturais promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia e será apoiado com 500 cópias em DVD para distribuição em espaços específicos.

As outras novidades.... conto depois. Prometo estar mais presente e atualizar nossa página com mais frequência. As próximas novidades vão ser bem interessantes. Bota fé?

terça-feira, 5 de julho de 2011

Teaser 01

Hoje é dia de comemoração e por isso mesmo resolvi me presentear com a publicação do primeiro teaser. Estas são as primeiras imagens do curta Joelma, para que vocês sintam como ele está ficando. A ansiedade continua grande, continuamos analisando o primeiro corte e percebemos que ainda faltam alguns detalhes para deixá-lo ainda mais especial. 
Esperamos que curtam!

Sugestão: Vejam no modo tela cheia no Youtube.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

1o Corte


Desde abril um silêncio paira por aqui. E não foi por falta de notícias ou novidades. De lá para cá, o making-of já ficou pronto e foi exibido na programação da IV Mostra Possíveis Sexualidades, em Salvador. Quem não viu, merece umas boas lapiadas de bainha de facão. Fica para a próxima  ocasião.

Escrevo caros amigos, na ânsia de contar que o 1o corte foi aberto. Aberto porque ainda não foi exposto a ninguém. 

Por estar tão dentro do processo, outros olhares serão emprestados, para podermos entender se o que vejo é insanidade individual ou coletiva.

Engano acreditar que o primeiro será definitivo.

Eis, portanto, momento de pausa para distanciamento, análise, melhorias e descanso, porque ninguém é de aço. 

Sem delongas...

Vamos partir para as próximas etapas.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

ACORDA HUMANIDADEEEEEEE!!!

Eis a pergunta recorrente de alguns curiosos sobre o curta: ‘’porque Joelma?’’

Somos condicionados a viver presos em estruturas conservadoras, que nos leva a repetição de ações e a busca da padronização. Com isso, passamos a vestir uniformes e somos classificados de acordo com as características da roupa que usamos. Traduzindo: Querem nos limitar. Não levam em consideração a nossa subjetividade, nossa particularidade.

Não caros leitores, não se trata de um debate sobre a Psicologia Social, mas sobre a sexualidade humana pois, no planeta terra, aquele que for homem, branco, heterossexual, bem sucedido, cabelos lisos e olhos claros, é o sujeito dominante ou o protagonista da novela global.

Domam nosso corpo, repetindo teorias antigas para nos ensinar a atuar no filme das nossas vidas. Aqui na Brasil, especificamente novela, pois é a estrutura narrativa dominante. Nada contra elas. Mas nos dias de hoje, ainda não exibem cenas de beijo entre pessoas do mesmo sexo.  Quiçá, o protagonista ter uma sexualidade diferente da heterossexual.

Mas não é a telenovela o entrave e sim, ou melhor, é principalmente o modus operandi do cristianismo (extensivo às simpatizantes), religião que tem a maior quantidade de seguidores no mundo. Mesmo havendo diversas possibilidades de sexualidades (a.C, durante e d.C) e até de alguns pesquisadores cogitarem a possibilidade de Jesus ter sido homossexual, tal assunto é considerado abominável por essa e outras religiões. E para eles, ou você aceita este modelo, ou está excluído do grupo.

Durante as gravações, lembro de uma situação interessante. Meu sobrinho de 10 anos, foi figurante de uma sequência, na qual Joelma (Fábio Vidal) e Antônio (Ruy Manthur) se beijam. De repente, no final da ação, ele me diz: ‘’tem que beijar de verdade não é?’’ Eu disse, ‘’sim, meu tio, senão não vai parecer que é de verdade’’, ele retrucou, ‘’mas são dois homens’’, eu disse, ‘’não, ela era um homem, mas tirou o pinto e virou mulher, porque desde criança, sempre acreditou, sentiu e pensou como uma mulher’’ e ele ficou com um olhar distante, pensativo e voltou para a sua posição esperando a próxima tomada.  

Criança tem uma mente tão fértil, que nem imagino o que foi que se passou em sua cabeça. O fato é que a maioria não se dá ao trabalho de pensar sobre o tema. Aceitam suas verdades como absolutas. Espero que aquilo seja um empurrão para que ele possa entender a diversidade do ser humano e aprender a viver em harmonia com o diferente.

Hoje, no mundo do bullying, homofobia e do desrespeito aos cidadãos que são sufocados por essa estrutura fechada, a voz do oprimido ecoa, ecoa, ecoa, ecoa, ecoa e aos poucos chega ao seu destino, soando como um grito de alerta, de angústia, insatisfação e raiva, ao pronunciar como o Superoutro: ACORDA HUMANIDADE!!!

Saia da zona de conforto e coloque sua cabeça para trabalhar. Afinal, a única diferença entre você e um burro (com todo respeito a eles), é que você é um animal racional (e o burro não é homofóbico). Se quiser ver mudança mesmo, vista sua roupa de Joelma e vá à luta. Pensar às vezes é dolorido, mas faz parte do nosso processo de evolução. Joelma entendeu e por isso ela é a nossa protagonista curta.

Agora vos faço a pergunta caros leitores: ‘’porque não?‘’


PS.: O texto que foi publicado aqui precisou ser excluído. A censura proibiu. Então, dedico apenas à falsa democracia em que vivemos. Em breve homofobia vai dar em cadeia!!!


Foto: Marie Thauront

terça-feira, 12 de abril de 2011

Sonho que se sonha só?


Há duas semanas começamos o período mais longo de Joelma. A pós-produção. Se bem que, pelas bandas de cá, fazer um filme, seja ele longa,  curta ou média-metragem é sempre um longo processo. As estatísticas dizem que um filme de longa-metragem demora cerca de 07 anos para ficar concluído no Brasil.

Diga-se de passagem, isso não é um condicionamento que parte exclusivamente de instituições feitas de concreto e pilhas de papel, mas também de instituições físicas, feitas de carne e osso. O processo está aí, limita-se a ele quem quer. O sonho de ver as coisas funcionando, não pode morrer.

Assim, partimos para a terceira semana de montagem. Nas anteriores, juntamente com Íris de Oliveira (montadora), fizemos as seleções das imagens que nos agradavam e de prováveis imagens que poderemos utilizar  para tornar o mundo de Joelma o mais verossímil possível, uma vez que a história dela se assemelhe mais à coisa de cinema. Partimos agora à montagem por sequência, observando quadro-a-quadro, tudo aquilo que nos interessa.

Seguindo a cronologia dos fatos, na imagem temos Joelma (Fábio Vidal) ainda na década de 70. Período em que encontra seu futuro marido, Antônio (Rui Manthur), catando lixo na porta de sua casa. Paixão à primeira vista. A partir de então, Joelma dá casa, comida, roupa lavada e muito mais a Antônio.

E deste encontro, surgem bons frutos. Antônio chega e com ele vem Rosemary (Elisabeth), além de um estímulo maior para que ela faça a sua tão sonhada cirurgia.

Como boa vidente e nas horas vagas, conselheira, Joelma vos fala que nós determinamos a nossa vida e que não há força maior nesse mundo, que a interior. É ela que nos motiva a sonhar. Porque sonho que se sonha junto, é cinema.

Foto: Gabriel Trajano

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A Moça Bonita!

Desde a primeira postagem abordo a tortura que é pensar Joelma. A tortura ainda continua devido às incertezas da vida. Mas, se fosse fácil, não teria graça.

E mesmo num espetáculo ou filme, com um roteiro pré-definido, sempre há espaço para o improviso. O amigo Veras dizia que “a vida não é aquela coisa que você planeja. A vida é o inesperado.” 

Para tentar aliviar a ansiedade, comecei a assistir algumas imagens brutas durante a semana e pensar em possibilidades na montagem. Notei que preciso trabalhar ainda mais o desapego a elas, apesar de não temer a faca que vai cortar o mal pela raiz, pois são muitas imagens bonitas.

Na imagem, lá pela década de 70, após se mudar para Salvador, Joelma começa a fazer shows como forma de sustento, além de juntar seu dinheiro para fazer a cirurgia. Todos os fins de semana, a Moça Bonita apresentava seu espetáculo na Boate Anjo Azul, dublando Ângela Maria, cantora que lhe inspira desde a infância. O palco, para ela é sagrado. Aqui, Joelma se entrega à música como se estivesse num altar.

É quando ela usava seu melhor vestido, salto alto, peruca, maquiagem, batom forte na boca, unhas pintadas, quadril e peito com espuma. Fazia de tudo para viver o sonho de ser uma mulher com todo o glamour que merecia.

Mas tudo aquilo continuava sendo um sonho. Era preciso ter muita paciência e dedicação para poder fazer sua cirurgia. E o uso correto da faca é essencial para o sucesso desse espetáculo.


Corta!


Foto: Edson Bastos

segunda-feira, 28 de março de 2011

01 mês a-pós



01 mês após as filmagens e estou aqui para  lhes dar notícias.

O início do fim se aproxima. Começaremos a montar Joelma no próximo fim de semana. Tento controlar uma ansiedade que começa a surgir...

A partir de agora, algumas das postagens serão direcionadas para mostrar um pouco da história de Joelma. E para você entendê-la melhor, começaremos pelo início.

Nossa Joelma (Fábio Vidal), cansada de apanhar do pai, aos 18 anos, se despede da mãe Janaína (Eddy Veríssimo) e vai embora para Salvador. É a última vez que se vêem. Janaína sente uma angústia profunda, pede para o filho perdoar o pai e vê sua única fonte de inspiração de atitude, ir embora, calando-se assim, para sempre.

Joelma enxerga esta como única alternativa de sobrevivência e vai embora dizendo à mãe para não se preocupar com ela, pois está indo em busca do sonho de se tornar uma mulher e não se cansará até conseguir. 

E o que está por vir, só na próxima sequência.


Foto: Mariane Lima

domingo, 20 de março de 2011

Ética X Estética

Um dos maiores entraves, quando se trata de adaptação, é a fidelidade dos fatos. Não aconselho isso a ninguém. Desde o princípio, antes de Joelma se tornar luz, questionava a ética de abordar ao máximo a verdadeira história, em contraponto à estética de construir outra, que se baseia em elementos e fatos possíveis. Joelma vai se surpreender com o resultado. Sendo otimista.

Falando nela, fui muito bem recebido em sua casa, nesta última semana. Conversamos sobre o filme novamente, ela viu fotos, riu, adorou algumas imagens, chorou, e disse que até entrevista à rádio, já cedeu.

Segundo os comentários, a cidade acredita que Joelma ficará milionária. Bobinhos, se soubessem que cinema e capitalismo só rimam nos Estados Unidos. E que para se tornar “indústria” é preciso muito mais que promover editais... Vamos deixar de rimar que essa brincadeira vai pegar.

A paciência nunca foi meu forte, mas depois de muito tempo de espera, ou você se acostuma ao processo ou vai buscar melhorias. Meu perfil nunca foi o de ficar parado. Então, as próximas semanas serão de reuniões para definirmos montagem, finalização, divulgação, lançamento e demais assuntos pertinentes. Prometemos também deixar o suspense de lado e postar imagens dos atores em cena.

Por enquanto, seguimos entre a cruz e a crucificação. Porque ficar parado, não dá não!

Foto: Marie Thauront

sábado, 5 de março de 2011

Bom carnaval e até a ilha de edição!

Em Ipiaú, Joelma parou o trânsito, literalmente. Cidade de curiosos, seus moradores acordaram cedo para acompanhar nossas externas. A notícia se espalhou no boca a boca e nas rádios, assim como foi na noite do crime. Hoje, com a internet, elas pipocaram. Alguns acreditaram ser a própria Joelma e outros ficaram impressionados com tamanha verossimilhança.

Depois de um dia intenso, voltamos a Salvador para mais quatro dias de filmagem. E chegamos ao último dia: a cena da Boate. Joelma deu show! Diversas imagens ficaram registradas em nossa memória durante todo o processo. A base vai fazer falta e o set também. Aproximadamente 30 pessoas envolvidas na equipe, e um elenco com cerca de 100 intérpretes (principal, secundário e figuração), delimitavam a passagem da luz e da sombra, sem limitar as possibilidades de perspectivas sobre elas.

Já falei do andamento do trabalho dos departamentos, em post anterior, mas reitero a afirmativa, pois fiquei muito impressionado com a qualidade e profissionalismo de todos. Gratificava-me entrar nas locações e me sentir no cenário de toda aquela história; observar a fotografia desenhando cada plano, valorizando toda a concepção de arte envolvida, com textura, luz, sombra nos objetos certos; o figuro em sintonia com a personagem, mostrando toda a personalidade da protagonista; sonorização captando o direto e o indireto, mostrando que é fundamental na criação de imagens mentais; a maquiagem característica de Joelma, que com sua utilização na intensidade e momento corretos torna-se parte da criação dos diversos signos existentes no filme; e um elenco que adentrou nos personagens, procurando ter a certeza do terreno onde pisava a ponto de ter a capacidade de improvisar e dar ainda mais intensidade à cena.

Como o que nos interessa é a imagem (e o som), a foto representa o trabalho da equipe e a satisfação por meio do riso estampado de todos. Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Jero Soffer (Diretor de Fotografia), Dedeco Macedo (Assistente de Direção), Clarissa Rebouças (Continuísta), Marie Thauront (Maquiagem), Edson Bastos (Direção), Diana Moreira (Figurino), Fábio Vidal (Joelma), Renata Hasselman (Diretora de Produção), Tiago Ribeiro (2º Assistente de Arte), Luis Parras (Diretor de Arte), Paula Damasceno (Pesquisa e Produção de Objetos), Cristiane Santana (Produção e Produção Local em Ipiaú), Filipe Ratz (Gaffer), Gabriel Trajano (1º Assistente de Câmera), Agnes Cajaíba (2º Assistente de Câmera), Daniel Olavo (Maquinário), Pedro Garcia (Microfonista), Simone Dourado (Som Direto), Camilo Fróes (Produção e Preparação de Elenco), Renata Nascimento (Estagiária de Arte), Henrique Filho (Making-of), Mariane Lima (Assistente de Figurino).

Aos que são Joelma e não estão na foto: Fernanda Bezerra (Produção Executiva - apoios e parcerias); Luara Dal Chiavon (Assistente de Produção); Maria Monteiro (Produção de Locação); Fábio Jesus (Maquinário); Sofia Brown (Assistente de Arte); Teadolino Ripa (Pintor de Set); Paulo Batistela – Nietzsche (Cenotécnico); Romildo Alves (Bido) e Didico (Assistente de Cenotécnico); Nicolas Hallet (Som Direto).

A todos os atores: Eddy Veríssimo (Janaína); Rui Manthur (Antônio), Vinício de Oliveira (João) e a todos os figurantes, (que são muitos) e que prometo citar todos os nomes assim que conseguir organizar por ordem alfabética.

A todos que ajudaram e tem ajudado de alguma forma.

A Joelma!

E sem esquecer Elisabete (no papel de Rosemary), que estava sempre atenta a tudo e todos.

Muito obrigado a todos por confiarem no projeto e por se dedicarem tanto em prol de toda essa mentira. Vocês são os culpados!

Bom carnaval a tod@s e até a ilha de edição. 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

De Mapele à Ipiaú

Do lado de cá, novidades o tempo inteiro. Terminamos de filmar em Mapele ontem. Durante três dias intensos, cansativos e muito prazerosos, Joelma se tornou a rainha do local. Para tanto, chegamos a ficar acordados por aproximadamente 24 horas. Tudo pela sétima arte.

Utilizamos essa afirmação como prerrogativa de tanto empenho e esmero de toda a equipe. Só isso justifica.  Muito profissionalismo e competência traduzem bons resultados. É o que tem ocorrido. As imagens estão belíssimas.

Aproveitando o adendo, perdoem-me os tradicionais, mas observar um filme como uma propriedade intelectual individual, atribuída ao Diretor, é uma perspectiva limitada e excludente. São diversos profissionais, com atuações distintas, em constante processo de criação. Portanto um filme é de todos, afinal é a arte do coletivo.

Sendo assim, abandonamos formulários, planilhas e botões, encarando todas as possibilidades de concepção da mise en scéne, entendendo que um dos maiores desafios de Joelma é o de imprimir uma caracterização que se baseia no realismo, e assim reproduzir uma reconstituição histórica verossímil ao olhar do espectador.

É desta forma que todos os departamentos adentram cada vez mais no universo de Joelma, buscando entendê-la melhor para, a partir de então, encontrar as soluções possíveis. Afinal, durante o set temos diversas limitações e imposições, que até mesmo o melhor planejamento possível, não pode prever.

Na foto, a equipe se prepara para filmar a sequência do crime. Atuação exímia, arte impecável, fotografia linda, maquiagem e figurino perfeitos, continuidade atenta, produção sempre ativa, sonorização afinada e direção a cantar: luz, câmera, som, ação e corta.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

O tempo é chegado!

Ordem do dia! Acordar às 04 da manhã, reunir equipe e começar as filmagens de Joelma. 

Aproximadamente 30 pessoas se encontrarão durante 09 dias para mostrar toda dedicação prestada em pouco mais de 02 meses de pré-produção.

Equipe afinada, muito responsável, que transmite tranqüilidade e sempre propõe soluções. Este é o resumo. Agora é momento de colocarmos em prática tudo o que definimos nesse período.

Não quero me estender em palavras, deveria me resguardar ao set, mas por respeito a você, caro leitor, que também faz parte desse processo, escrevo para dizer que os próximos dias serão inesquecíveis a todos nós.

Começaremos com a cena da partida. Joelma, com as pernas mexendo de ansiedade, sentada no banco, ao lado de sua mãe Janaína, espera a rural da Empresa Brasil de Transportes que a levará a Salvador. Assim como Joelma, esperaremos o ônibus para nos levar ao nosso destino, em busca da concretização desse sonho.

Até o próximo ponto!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Corpo e mente em busca da libertação.

É no domínio sobre o corpo que residem às relações de poder. A paráfrase de Foucault me fez pensar em Joelma e nas instâncias que permeiam essas relações. A igreja, a família, a polícia, a sociedade, todas, de alguma forma, estão envolvidas neste processo contínuo que é o de domar nosso corpo e torná-lo dócil.

Joelma encontra no domínio do seu corpo, a libertação. Mas, fato importante é que corpo e mente não se dissociam. Precisam estar em harmonia, um escutando o outro, sempre. Então, o domínio da mente é fundamental para a libertação. Ou seja, você pode ser o maior castrador ou libertador de si mesmo. Partamos em busca do autoconhecimento.

Para fazer uma mudança de sexo, é preciso ter certeza do que se quer. Provocar interferências em seu corpo, mudar comportamentos, pensamentos e sentir todas as dores provenientes desse processo. Quem tem sangue frio, pode pesquisar no Google como se faz a mudança e vai se deparar com imagens impactantes. Hoje, para realizar a cirurgia, é preciso ter um acompanhamento psicológico (antes e depois), tomar hormônios, até chegar o grande dia. Hoje também, é possível fazer a cirurgia pelo SUS. Fica a dica!

O processo de mudança de Joelma foi feito entre a década de 70 e 80. Época em que ainda era muito precária e pouco especializada esse tipo de cirurgia. Fontes me informaram que, para bombar (colocar silicone industrial nos seios e bunda), travestis e transexuais usavam entorpecentes para sedá-las e assim suportar a dor da beleza. Nossa Joelma não precisou de tanto. Ficou num corpinho curvilíneo com a ajuda dos truques do figurino de Diana Moreira.

Assim, nos aproximamos cada vez mais da nossa cirurgia. Estamos a uma semana das filmagens. Então, procuramos a harmonia entre corpo e mente, agindo constantemente em busca da libertação. O dia D, se aproxima. Mais de quatro anos de pesquisa condensados em meses de preparação e armazenados em minutos de imagens em movimento. 

Ou seja, Joelma também é aprisionamento e castração.

Sessão autoajuda: Aquele que domina sua mente é capaz de tudo.

PS.: Inconscientemente, Joelma está sempre presente. Vide detalhes da imagem anexa.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O mistério das treze almas.

Concentração.

Entrando em transe.

...

Começo a ver vultos. Não de ansiedade. Mas das 13 almas. Queriam chamar minha atenção para algo. Não ouvi. Bateram a porta com força. Queriam seu papel de direito no filme. Não bastava apenas ser figurante. Imaginem treze almas histéricas, gritando em seu ouvido. Não... Esqueçam! Vamos às afirmativas.

Tentei me aproximar um pouco delas para entender sua onomástica. A internet me ajudou a voltar no tempo.

Descobri que as 13 almas podem ser de três grupos diferentes. O primeiro refere-se aos 12 apóstolos + Jesus. O segundo está associado à tragédia no Edifício Joelma. O terceiro, segundo a própria Joelma, foram de treze feiras que desencarnaram perto da ponte pequena. Não sei onde fica... O importante é que todos são bons e fazem milagres. Assim espero!

Algumas pessoas já haviam me perguntado se o curta abordava a história do Edifício Joelma. E agora respondo com propriedade: Em partes. Descobri que durante o incêndio, causado por um curto-circuito, que aconteceu na sexta-feira, dia 01/02/1974 no Edifício Joelma, 13 pessoas entraram no elevador às 08:45h da manhã, tentando fugir do fogo, e acabaram morrendo carbonizados. Nunca descobriram os nomes das vítimas, que foram enterradas como indigentes no Cemitério São Pedro, em São Paulo, um ao lado do outro, recebendo em sua lápide a alcunha de 13 almas.

Pessoas vão à Capela das 13 almas e ao cemitério para orar, fazer pedidos, agradecer vitórias, dividir angústias. Porém elas não são reconhecidas pela Igreja Universal Católica Apostólica Romana, como santos. Bom, mas isso não é motivo para as pessoas deixarem de acreditar em algo.

Importa é que desde então, passei a entregar o milheiro da oração das 13 almas para ter a garantia de que tudo sairá conforme o planejado. Não custa nada tentar e você pode contribuir fazendo o mesmo. Podem usar a internet, será mais ecológico. Às 13 horas, 13 minutos e 13 segundos, do 13º dia após o envio da oração, seu pedido será realizado.

Depois dessa viagem, retornaremos ao corpo em 05 segundos........................................Pronto!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

03 de fevereiro de 1974.

Procuro referências para escrever o texto e não faltam possibilidades, diante de tantas novidades. Roteiro técnico definido; plano de filmagem elaborado; locações fechadas; objetos escondidos no fundo do baú, que são cutucados com a ajuda das novas tecnologias; atores em constante descoberta dos seus personagens e por aí vai...

Porém, cito um fato interessante, que me fez pensar em outros. Durante a semana, reproduzimos um objeto de cena: uma foto de Antônio e Joelma. 

Imediatamente lembrei Rubem Alves, psicanalista e escritor, metaforizando o retrato. Afinal, contra a foto, não há argumentos. Ela é a representação do real e muito mais que isso.

Ele diz: “É mais fácil amar o retrato. Eu já disse que o que se ama é a ‘cena’. ‘Cena’ é um quadro belo e comovente que existe na alma antes de qualquer experiência amorosa. A busca amorosa é a busca da pessoa que, se achada, irá completar a cena. Antes de te conhecer eu já te amava.... E então, inesperadamente, nos encontramos com rosto que já conhecíamos antes de o conhecer. E somos então possuídos pela certeza absoluta de haver encontrado o que procurávamos. A cena está completa. Estamos apaixonados.”

Eis que Joelma e Antônio afirmam sua união. E a foto é a prova disso.

Afinal, em qual contexto ela se tornou real? O que pensavam no momento? Colocaram suas melhores roupas? Planejaram durante semanas? Em qual data foi tirada? Quem tirou? Onde? No momento do clique, em minha frente, Joelma (Fábio Vidal) e Antônio (Rui Manthur) adentravam no universo da fotografia. Ela, ainda nova, encontra o seu parceiro, ex-mendigo e passam a viver juntos. Na foto, alguns anos se passaram.


Pena que, tudo tem um fim, e nessa história, restará apenas a foto para recordação.

Seguimos nessa semi-ótica, encontrando respostas para criarmos imagens ao seu imaginário, caro leitor. 


Até breve!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

É tempo de murici...

Os ensaios começaram e os atores já estão em pleno processo de criação das personagens.

Então, podemos falar do elenco principal desta farsa. Eddy Veríssimo, Fábio Vidal, Rui Manthur e Vinício de Oliveira trabalham o perfil psicológico das personas e entendem sua forma de pensar e agir.

Mas não está sendo tão fácil quanto parece. Agora, é momento de mediar crises e transformá-las em força motriz. A diferença está na concentração de cada uma delas, até porque, aqui, importa também o conflito e não, ser um super-herói. Sempre bom lembrar, que atores também têm sentimentos.

Trejeitos começam a surgir, entonações se assemelham muito ao real, olhares ora desconfiados, ora sem expressão, ora lacrimejantes, ora irritados. Cada personagem estabelece sua relação com o outro e consigo mesmo.

Então, quando tudo parece voltar à normalidade... você coloca mais conflito, pois “é tempo de murici. Cada um cuida de si”.

Agora, quem é quem no jogo do bicho, deixemos para outro momento.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Statu quo

Na interação entre razão e emoção haverá sempre um nó a ser desatado no meio de uma linha tênue. Da mesma forma se dá com a Produção e a Direção.  Alguns nós são feitos e todos são desfeitos. Porque todo problema tem solução.

A interação de Joelma vai muito bem, obrigado! Vejam essas caras concentradas, trabalhando felizes e com foco na carreira.

Após base montada, dias se passaram e definimos as cidades nas quais filmaremos. Salvador, Simões Filho e Ipiaú. 

Um dos primeiros nós desatados foi não podermos filmar todas as sequências que se passam em Ipiaú, nesta cidade. Desta forma, o bairro de Mapele, em Simões Filho, se tornará Ipiaú, a cidade natal de Joelma, à qual retorna no final dos anos 80 buscando uma vida tranquila e reservada. Salvador é a cidade em que ela vai em busca do seu sonho. 

O elenco principal também está definido, já partimos para os ensaios e temos muitas informações sobre as personagens. Mas este é assunto da sua próxima visita à nossa base virtual. 

Agora vamos desatar outros nós. E com esta equipe (mesmo que incompleta na imagem), prevalece a certeza de que o tempo continua a nosso favor. Prova disso é que ainda sobra, até para tirar foto.

Na foto da esquerda para a direita: Renata Hasselman (Coordenação de Produção), Zezé Monteiro (Produção de Locação e Platô), Cristiane Santana (Produção Local em Ipiaú e Produção), Paula Damasceno (Produção de Arte e Objetos) e Dedeco Macedo (Assistente de Direção).


PS: Statu quo ou status quo. O google desata esse nó.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

"A memória é uma ilha de edição"*

Esqueçamos a linearidade. 

Quando falamos em cinema, abordamos representação, linguagem e memória. Mas, para não ficar na abstração, eis que surge a necessidade de definição de conceito, delimitação de um símbolo, pertencente a uma unidade semântica ou de conhecimento. É assim que chegamos à Fragmentação.

Explico melhor. Joelma é narrativa, que aborda a representação de um sujeito pós-moderno, pela perspectiva da sociedade do espetáculo, proferindo um discurso direcionado. Fragmentação constante.

Fazer um filme não significa ter o domínio da linguagem cinematográfica e sim ter o conhecimento necessário para saber entrar e sair de todas as vias possíveis.

Definir locações, atores, equipamentos, equipe, iluminação, planos, falas, ações, figurinos, maquiagem, objetos, trilha, finalização, etc... é como definir cada um dos sintagmas que construirão toda essa estrutura. Esse mundo novo. Essa realidade inventada.

É possível aqui, forjar um espaço, para que ele se torne outro. A estrutura da imagem, ainda não é tão rígida quanto à das letras e números. É assim que Mapele se tornará Ipiaú. É assim que o ator se tornará Joelma. É assim que a tela se tornará papel e a luz uma caneta. O plano, uma frase e as transições, as pontuações.

Não, não é tão simples como está escrito. Escrever com a luz é diferente. É lembrar que Mnemosine, a deusa da memória, intercederá para que o esquecimento seja sempre preservado.


Cinema é preservação da memória, do esquecimento e daquilo que está no meio disso tudo. Pois, é entre a memória e o esquecimento que está o processo criador, a inventividade, a imaginação...

Lembremos da fragmentação. É assim que se dá o exercício da memória.

PS1.: Ao mestre, Otávio Filho.

PS2.: *Wally Salomão.