domingo, 26 de dezembro de 2010

É tudo mentira!

Gostaria de alertá-los, caros leitores, ao seguinte fato: é tudo mentira!

Esse curtametragem pretende se basear em uma história real e transformá-la em ficção. Em mentira...

Nomes foram trocados, personagens inventados e atores interpretarão uma grande farsa. Mas você acreditará que é tudo verdade.

Digo isso porque fui fazer outra visita à verdadeira Joelma (se isso for realmente possível) e entregar um quadro, que o amigo U’Brais desenhou (filisminogravurou). 

Joelma, sempre perspicaz e desconfiada, inicialmente não aceitou. Mas depois que abriu a porta, foram duas horas de conversa e conselhos por ela proferidos.

Ela não gosta de ser incomodada e não quer ver sua imagem publicada. Se você fizer isso, à noite, as treze almas vão puxar seu pé. Acredite se puder.

PS: Em contraponto, deixo votos de ano novo, repleto de luz, câmera, ação e o desejo de que muitas outras mentiras sejam contadas porque é assim que o mundo se torna mais bonito...e mais real!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Notícia Urgente!

"Um assassinato acaba de acontecer no final desta tarde, na cidade de Ipiaú. Não se sabe ao certo o que aconteceu. As informações são de um ferido e dois mortos. Curiosos dizem tratar-se de um crime passional.”

A cidade parou para observar o crime que chocou seus moradores no início da década de 90. Muitos curiosos foram ao local do assassinato para ver os corpos ensaguentados. Queriam reconhecer as vítimas. Todos ficaram chocados.
  
Mas, quem é a vítima? Quem o assassinou? O que motivou esse terrível episódio?

Voltaremos a qualquer momento com mais notícias."

E assim a rádio noticiou o crime.
O assassinato, pasmem, aconteceu no dia da inauguração da delegacia. E o primeiro preso ganhou, de brinde, um rádio.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Ipiaú, a memória e o cinema (ou Ipiaú vai dominar o mundo!).

Peço licença para falar sobre outros assuntos, não deixando de contextualizar Joelma.

Ipiaú sempre foi uma fonte de inspiração. Nesta cidade, onde vivi toda minha infância e adolescência, descobri personagens como Joelma, Dona Nena, Veras e Euclides Neto.

Foi lá também que conheci o Cine Éden. O cinema com a “melhor projeção do interior do estado”. Assim era divulgado pelo carro de som. Espaço criado no ano de 1927, pelo Italiano José Miraglia, apesar de ter sua fachada tombada, hoje, como em muitos outros locais, funciona uma loja. Pelo menos não foi uma igreja.

Dizem que lá é terra de gente doida. Até o santo padroeiro se chama Roque. Lembro-me, há 03 anos, sobre um fato que aconteceu quando fiz a curadoria da primeira Mostra de Cinema e Cultura de Ipiaú, idealizada por Tito da Cruz, que aconteceu na Praça Ruy Barbosa, entre o Cine Éden e a Igreja Matriz de São Roque (uma das locações de Joelma).

Praça lotada. Aproximadamente 500 pessoas presentes. Domingo de noite e a missa acontecendo concomitantemente à exibição do filme “Eu me lembro” (2005), de Edgard Navarro. Avisamos a todos sobre a classificação etária (14 anos) do filme. Mas ninguém ligou...

Resultado: Alguns adoraram e outros ficaram chocados. E minha mãe, morrendo de medo da polícia me prender, veio conversar comigo. Ora minha mãe, “né cumigo não”.

Cinema e Religião nunca foram melhores amigos. Mas deixarei isso para outro momento de reflexão.

O fato é que Ipiaú vai dominar o mundo.


PS: Ipiaú foi emancipada em 02 de dezembro de 1933 e hoje está com 77 anos.

domingo, 5 de dezembro de 2010

O roteiro e suas metamorfoses


Escrever o roteiro de Joelma foi, sem sombra de dúvida, um dos grandes desafios que tive nos últimos anos. A fragmentação do roteiro, apresentando fases distintas da vida de Joelma, propositalmente me levava a fazer escolhas e consequentemente planejar ações que me guiassem às respostas necessárias.


Recorro aos números, linguagem exata, para visualizarem o que afirmo:
  • 15 livros de roteiro (pelo menos) ajudaram a entender melhor sobre dramaturgia, formatação, estrutura narrativa, personagens, mas nenhum fez o trabalho prático de escrever a história no papel. Sem contar os de outras especificidades.
  • 03 oficinas de roteiro para receber considerações sobre as fragilidades e pontos positivos da trama.
  • 01 pesquisa qualitativa, com público de 20 pessoas, buscando entender a aceitação dos possíveis espectadores do curta.
  • 10 pesquisas de curva dramática, com pessoas distintas, para verificar a recepção do público.
  • 04 anos se passaram e 11 tratamentos foram feitos.

CONCLUSÃO:
  • 65 anos de vida, com muitos pontos de virada não cabem em 13 laudas, meu jovem!
Como os manuais de roteiro propõem: roteirizar equivale a 99% de transpiração e 1% inspiração. Então nada melhor que por a mão na massa.

Hoje: certeza de que a vida imita a arte até em sua transitoriedade. Só precisamos trabalhar o desprendimento, pois, personagens, assim como pessoas, morrem; crimes acontecem; pessoas nascem; casamentos se concretizam (não só na ficção); e roteiros nunca serão filmes. Serão apenas páginas escritas mostrando um caminho tortuoso, que em breve se metamorfoseará. 

Tenho dito.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pedindo Proteção


Joelma tem uma relação intensa com a fé. Devota contrita de Nossa Senhora, sempre vai à igreja fazer suas orações para agradecer por algo ou pedir proteção.


Sua casa é uma igreja. A igreja das treze almas benditas, sabidas e entendias. Nem sabia da sua existência. Segundo ela, foram treze freiras que desencarnaram e foram transformadas em espíritos de luz.

E como é de luz que se faz cinema, nada mais justo que fazer uma oração para agradecer pelo alcançado até o momento e pedir mais proteção. É sempre bem vinda.

Então vamos lá:
Oh, minha Nossa Senhora das películas, das fitas magnéticas e dos cartões de memória, fazei com que consigamos todos os apoiadores necessários, que toda a equipe técnica esteja em sincronia e abrace o projeto, que todos os atores estejam sempre dispostos para repetir a ação milhares de vezes, que não chova nos dias de filmagem, que não falte fita crepe, que nenhum equipamento quebre, que a iniciativa privada invista no projeto, que as prestações de contas sejam aprovadas, que o filme seja selecionado por diversos festivais e ganhe todos os prêmios, que ele tenha tempo de vida grande e visibilidade internacional. Eu te peço por todo sangue derramado por São Glauber Rocha. Amém!

Ah... e obrigado por tudo!

sábado, 27 de novembro de 2010

Sobre Joelma e formas de tortura

Escrever sobre Joelma tem sido uma tortura.

Mentalizo o tema e sempre recebo de volta a pergunta: o que é que você quer falar? E a resposta é sempre a mesma. Sobre tudo! Impossível, querido! Aqui (no blog), por exemplo, você só deve escrever poucas palavras e colocar mais imagens. As pessoas perderam o costume da leitura. Coloque imagens... Encha de imagens. Resolvido!

Sei perfeitamente que abraçar o mundo com as mãos, nunca foi a melhor solução e que com certeza não vou salvá-lo de todas as injustiças. Então vamos direcionar o foco e falar sobre Joelma. Nas poucas linhas que restam...

Desde 2007 comecei a escrever um roteiro de curta-metragem baseado na história de vida de Joelma, uma transexual. Era tanta história que poderia caber num seriado com diversas temporadas, mas como todo discurso precisa de um direcionamento, com o cinema não é diferente.

E, diga-se de passagem, fazer um filme é dar à luz. Trazer à tona todas as preocupações e ansiedades provenientes da incerteza do que aquele filho irá se tornar. A partir de então procuro dar luz e movimento às palavras escritas no roteiro.

E eis que o tempo é chegado.

Estamos no processo de pré-produção do curta-metragem, finalizando os detalhes do roteiro e da equipe técnica para a partir de então, selecionarmos o elenco que comporá a trama. Mas isso é assunto para outras postagens. É apenas o início. Temos muito ainda pela frente. 

Agora entendo o motivo de tanta tortura...